domingo, 28 de março de 2010

Quem foram os SITUACIONISTAS e o que é DERIVA para eles?



A Internacional Situacionista (IS) foi um movimento político e artístico internacional. O movimento foi ativo no final da década de 60 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais. A primeira IS foi desfeita após o ano de 1972, os situacionistas argumentavam contra qualquer separação entre um espetáculo "falso" e a "verdadeira" vida cotidiana.

Guy Debord foi um escritor francês e um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista e seus textos foram a base das manifestações de Maio de 68. Debord contrastando Hegel diz que dentro do espetáculo, "o verdadeiro é um momento do falso". O espetáculo não é uma conspiração. Os Situacionistas diriam que a sociedade chega ao nível do espetáculo quando praticamente todos os aspectos da cultura e experiência são intermediados por uma relação social capitalista. A pesquisa desenvolvida por ele está fundamentada no trabalho de Karl Max.

"O espetáculo não é uma coleção de imagens, mas uma relação social entre pessoas, intermediada por imagens... O espetáculo em geral, como uma concreta inversão da vida, é um movimento autônomo do não vivente... O mentiroso mentiu pra si mesmo" Guy Debord

Entre os diversos procedimentos situacionistas, a teoria da deriva se apresenta como uma técnica ininterrupta através de diversos ambientes. O conceito de deriva está ligado indissoluvelmente ao reconhecimento de efeitos da natureza psicogeográfica, e a afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que se opõe em todos os aspectos às noções clássicas de viagem e passeio.

Uma ou várias pessoas que se lançam à deriva renunciam, durante um tempo mais ou menos longo, os motivos para deslocar-se ou atuar normalmente em suas relações, trabalhos e entretenimentos próprios de si, para deixar-se levar pelas solicitações do terreno e os encontros que a ele corresponde. A parte aleatória é menos determinante do que se crê: no ponto de vista da deriva, existe um relevo psicogeográfico nas cidades, com correntes constantes, pontos fixos e multidões que fazem de difícil acesso à saída de certas zonas.
Na arquitetura, a inclinação à deriva leva a anunciar todo tipo de novos labirintos que as possibilidades modernas de construção favorecem. A imprensa disse em março de 1955 sobre a construção em Nova York de um edifício onde se pode perceber os primeiros sinais de possibilidade de deriva no interior de um apartamento:
“As pequenas habitações da casa helicoidal terão a forma de uma fatia de bolo. Poderão aumentar-se ou reduzir-se à vontade deslizando paredes móveis. A disposição dos pisos em níveis evitará a limitação do número de cômodos, podendo o inquilino pedir que lhe deixem utilizar o nível superior ou o inferior. Este sistema permitirá transformar em seis horas três apartamentos de quatro cômodos em um de doze ou mais”.
Guy Debord, 1958.

Nenhum comentário:

Postar um comentário