sexta-feira, 14 de maio de 2010

Carlos Augusto Martins LACAZ







Nasceu em São Paulo, em 1948. Carlos Augusto Martins Lacaz é conhecido como Guto Lacaz. É arquiteto pela FAU/USP e artista plástico. Em seu conjunto de obras podemos encontrar esculturas lúdicas, vídeo instalações, multimídia, eletro performances, projetos e instrumentos científicos. Guto Lacaz me parece uma pessoal genial por conseguir, de uma maneira muito interessante, ser reconhecido por trabalhos bem diferentes. Ele é um artista multimídia, desenhista, ilustrador, designer, cenógrafo e editor de arte de revistas.

Em suas obras e performances, Guto manipula diversos objetos e apresenta-se como uma mescla de artista-ator, inventor e mágico. Em suas instalações, transforma radical e poeticamente as funções dos objetos do dia-a-dia, chegando a tangenciar o insólito – questões que podem ser observadas na obra exposta: O Nabo (2001).

O que ele busca, é justamente transformar em jogo gratuito a função produtiva da tecnologia, de modo a demonstrar que o trabalho artístico depende muito pouco dos valores da produção e progride sempre na direção contrária à da tecnocracia. Eu acho interessante do trabalho dele é que em seu trabalho a arte independe de qualquer teleologia; ela é o que é, esse enigma inesgotável, entre outras coisas porque lhe faltam finalidades.
Uma das obras que me instigou muito foi há 16 anos onde Guto Lacaz desenvolveu um projeto de um gigantesco periscópio em madeira, instalado no antigo prédio da Eletropaulo, que resultou em várias experiências vivenciadas pelo artista junto ao público: quem passava pela rua poderia enxergar, através do gigantesco periscópio, as pessoas que estavam no último andar do prédio e estabelecer uma relação cordial. “Pessoas que nem se cumprimentariam nas ruas de São Paulo, pertencentes a classes sociais diferentes, passavam a conversar ou gesticular umas às outras”, disse Guto Lacaz.

Entre os seus trabalhos podemos encontrar um pouco (ou muito) de tudo: vídeo-instalações, multimídias, esculturas lúdicas, eletroperformances ou simples objetos. Quase sempre, seus experimentos artísticos cruzam as fronteiras da ciência e se apoderam de fazeres racionais e mecânicos que resultam em objetos que instigam a imaginação e o bom humor. O artista mostra-se extremamente coerente com a variedade de lugares e situações onde apresenta seus trabalhos: de galerias e museus a teatros, espaços públicos e televisão.

Seu método de trabalho parece simples. Baseia-se na observação e na “convivência lúdica” com objetos do cotidiano: “Eu fico olhando para eles e eles para mim durante algum tempo, para só depois fazer alguma coisa.”, afirma. Algumas vezes promove, simplesmente, um “encontro entre objetos”, por exemplo, entre um rolo do papel higiênico e um coador de melita ou entre uma tesoura , uma colher e um garfo ( “Abajour”).

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